Ela olhou para
ele, ele olhou para ela. Conversaram por um instante. Tudo sempre tão natural,
normal, sem pretexto de nada. Ela falando bobeiras engraçadas e ele olhando
pelos cantos. Ela rindo, e ele acompanhando. Ele quase caindo em cima dela e pedindo
desculpas. Ela sentindo os cabelos ao vento e se libertando. Eles chegando à
boate.
Ele
experimenta o drinque. Ela ri para os amigos. Ele começa a dançar. Ela começa a
dançar. Ele tira os óculos. Ela joga o cabelo. Ela repara nele
despretensiosamente. Ele faz o mesmo. Os olhares se encontram. A amiga pede uma
foto. Ela pega na cintura dele. Ele pega nos ombros dela.
E de repente,
ele perguntando se sim, e ela dizendo que sim. Os lábios se tocando. Os dedos
dela nos cabelos dele e um calor dentro dela. A língua dele na boca dela e o
coração dele acelerado. Os braços dela pousando no pescoço dele. As mãos dele
descendo do ombro para os quadris dela. A música na cabeça dela, e ele...
Um beijo,
dois, três... Um abraço, uma dança, um cheiro, uma lembrança. No dia seguinte,
um pedido de amizade dele. O coração dela disparando e o dedo tremulando “confirmar”.
Ela falando besteiras para ele. Ele envergonhado. Ela envergonhada.
Ela evitando,
ela com medo, ela chacoalhando, ela sorrindo, ela sonhando. Ele estudando.
Desviando. Lendo e olhando. Os dois vivendo. Até se encontrarem de novo numa
noite de sábado e ele olhar para ela, ela olhar para ele. Até conversarem por
um instante. Ela continuando a falar bobeiras e ele continuando a olhar para os
cantos. Os dois dançando. Até tudo
começar de novo com um beijo surpreendentemente gostoso.