quarta-feira, 18 de julho de 2012

verbos da minha vida

  É super simples começar um novo projeto. O difícil é tocá-lo. 
  Após um dia super turbulento, com tédio me consumindo e os meus pensamentos tomando um peso enorme dentro de mim, me senti aliviada ao chegar esse momento. O momento em que abro o Word, coloco uma música e começo a teclar loucamente. Fico curiosa a saber o que pode sair. A única parte feliz de ter um problema ou de sentir coisas estúpidas e angustiantes é poder escrever. E que seja com música. A combinação escrita+música é perfeita. É Claudinho e Bochecha para alguns, queijo com goiabada para outros, é elétron+próton para os nerds, Romeu e Julieta para Shakespeare. 
  Há dois outros verbos que estão muito associados ao ato de escrever e que fazem parte da minha vida: chorar (eu choro por alegria, por tristeza, por emoção, por agonia, por tudo) e dançar (não, não sou bailarina clássica nem nada disso, é só que não posso escutar música nenhuma, eu começo a dançar. Como se ativasse um botão dentro de mim, o que deixa as pessoas ao meu redor suuper envergonhadas. Não que eu realmente ligue para isso). Agora imagine a minha sensação de libertação quando eu termino um texto consideravelmente bom. É como se eu fosse explodir por dentro, é uma satisfação suprema! Por isso que eu não posso parar nunca de fazer a atividade que eu mais amo na vida: escrever.
    Outro verbo necessário a mim: cantar. Eu adoro cantar. Acho até que a minha cabeça é uma estação de rádio. Cada hora está sintonizada numa música, uma loucura! Hahaha. Se sou proibida de cantar, eu não curto mesmo. Quando eu estou de saco cheio com algumas coisas, simplesmente recorro ao karaokê. Não é a toa que está no ranking que mais desestressam os japoneses. 
    Desenhar também curto muito. Faço muito quando estou de férias. Simplesmente adoro rabiscar um papel. Gosto do silêncio e da intimidade entre um lápis, uma folha e uma pessoa. :)
    É isso aí... Gosto de encerrar as coisas de uma forma legal e não estou encontrando uma maneira de fazer isso agora. Então, a vida é assim. Ponto final.
    

sábado, 14 de julho de 2012

Mirror, mirror on the wall

    Às vezes não consigo me olhar de fora. Às vezes esqueço de minha fisionomia. Sei como sou por dentro, estou sempre me questionando de alguma forma, mas é necessário o espelho, bem como rever minhas atitudes perante às pessoas.
   Me pego assustada quando me vejo no espelho, ou quando leio algo que tenha escrito há muito tempo atrás. Isso porque não consigo acreditar que já tenha crescido tanto assim! Uma vez, alguém me disse que as pessoas sempre têm uma visão delas mesmas como mais novas. Completamente eu isso. Quando vejo que posso responder por mim mesma, me questiono. Ora, me sinto uma garotinha! Como é que aquele alguém tão desajeitado, tão sem forma, pode ter se tornado isso, assim tão do dia para noite?
    Certa vez, um cara muito gato mais ou menos da minha idade ficou me paquerando. Estávamos há poucos metros de distância. Eu vestia um vestido longo que adoro. Estava com os meus amigos, rindo e zoando. Eu percebia que ele via cada movimento meu. Foi aí que eu parei para pensar que, realmente, ele estava me percebendo. E eu estava me percebendo através dele. Não, não no sentido romântico da coisa. Eu não o conhecia, e ele era, de fato, bonito. Mas meu coração no momento está preenchido por outro. Eu estava me percebendo através dele, porque eu vi, meu Deus, sou uma mulher! Hahaha. Geralmente estava acostumada a encarar relações amorosas de maneira distante e completamente idealizada, como se tudo precisasse ser 100% romântico o tempo todo e, por isso mesmo, adiava.
    Borboleta saindo do casulo. Dorinha, sim, mas não ingênua. Alegre, sim, mas não indiscreta. Feliz, completa e imperfeita. Essa é a beleza da minha vida.  










"Em tudo há sempre alguma coisa capaz de deixar a gente alegre; a questão é descobri-la." 
                                                                     Pollyanna, Eleanor H. Porter

domingo, 1 de julho de 2012

Ser Dorinha


Por um momento, minha paciência se esvaiu. Se eu ainda fosse 100% Dorinha, eu ia lá falar com aquelas pessoas que me magoaram tanto e que não iam acrescentar nada na minha vida. Lá estavam as maiores patricinhas do colégio, que sempre causaram confusões com panelinhas e situações afins. Lá estava o grupinho tirando fotos. Revirei os olhos dentro de mim. Essas daí vão ser difíceis de mudar. E a Cecília continuava se achando “a gostosa”, mesmo estando uns dez quilos mais gorda do que a última vez que a vi. Revirei os olhos dentro de mim. Aff!
Eu observava todas aquelas pessoas que me eram familiares fisicamente e levava sustos enormes. Como aqueles meninos ficaram com músculos? Bati o olho em alguém que reconheci por algum motivo. Ah, sim! Aquele era o Jorge, o carinha que me perturbava tanto me perseguindo. Hoje, acho que ele tinha uma quedinha por mim. Mas na época o achava insuportável.E continuo achando.
Eu iria falar com quem fosse importante para mim. Decidi isso. Cagaria para aquelas pessoas vazias e superficiais. Do que adianta tanta beleza se elas não falavam nada que prestasse? Se elas só abriam a boca para fazer intriga e discórdia?! Não sou hipócrita de dizer que beleza física não é importante. Dã! É claro que é importante! Mas a estupidez invalida a beleza. A estupidez, o mau caratismo, a falta de respeito, a ignorância, tudo isso invalida a beleza! E, por outro lado, se a pessoa não tiver um físico como o existente nas revistas, porém se apresentar como uma pessoa verdadeira, uma pessoa inteligente, boa gente, aí sim posso me aproximar dela. Não tente me bajular com palavras vazias, não tente me bajular com poses de playboy. A partir de agora, meu lema é “sou o que sou, e se isso não for o suficiente, liga para minha preocupação e vê se ela atende”.
Estava com a minha avó, as amigas dela e a minha irmã. Isso me era suficiente. Comeria o bolo de aipim com coco, a tapioca e beberia meu mate em paz. Aprendi a revirar os olhos. Agora, meu bem, sou 80% Dorinha, e só na situação que convir.
Não sabe? Ser Dorinha é ser doce e amável, é ser boazinha e fofinha com todo mundo. Mas ser 100% Dorinha é ajudar a todos e abrir mão da própria felicidade para que os outros tomem seu posto, é ser a personagem secundária no filme: a amiga da protagonista. Mudei, e pode ser que essas pessoas que falei aqui tenham também. Mas não quero conferir.