quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Corpo etéreo


   Pode ser que finalmente eu pare para respirar ao invés de chorar. Há uma grande possibilidade, não vou negar. Há uma grande possibilidade, sim, de eu estar a fim de viver tudo isso.  Meus olhos querem ver o mundo através do meu peito. E ruborizo ao encontrá-lo, mas de forma tão natural que não sinto vergonha ao perceber minhas bochechas vermelhas. E conheço pessoas que me fazem rir sem esforço. E estudo muito com a minha alma aberta ao conhecimento. 
    Meus braços se estendem para abraçar a felicidade. Não a felicidade fácil, não. A felicidade do dia-a-dia. De me descobrir viva depois de uma discussão. De sentir meu coração bater a cada manhã. De sentir minhas pupilas se dilatarem pela beleza das copas das árvores. Novo ciclo, nova era. Novo meu mundo. Nova constelação de estrelas que brilham de encontro à minh'alma. O brilho estelar que me banha de luz e faz minhas células pulsarem. Novo meu mundo, nova minha era. Corpo etéreo. 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Ponto verde



No meio daquela terra escura coberta por folhas e esqueletos de folhas, algo peludo e verde cintilante salta aos meus olhos. Franzo as sobrancelhas e chego mais perto. Aquele ponto berrante logo toma uma forma de uma lagarta. Debruço-me sobre a varanda, com a cabeça apoiada nos braços, pronta para perceber o que ela fará. Suas patinhas movimentam-se devagar e então percebo que não é uma lagarta... É uma centopeia. A percepção instiga-me ainda mais. A centopeia está bem à minha frente e é muito mais emocionante do que aquela mera imagem dos trabalhos de biologia do Ensino Médio...
Por quê? Porque a centopeia está manifestando-se. As patinhas traseiras são as primeiras a mexer-se, depois o movimento chega às outras, como uma onda. Para a centopeia locomover-se demora muito tempo, mas mesmo assim ela não se atropela com tantos pés. Ela parece saber muito bem a dimensão dela sobre ela mesma. Tenta subir numa folha marrom. Tomba de lado, quase cai. Mas não cai. Continua tentando subir até que, após longos minutos, consegue. Eu sorrio.
- Isso aí, pequena centopeia! – comemoro.
Em cima da folha, ela resolve continuar em frente. Não sei qual é seu objetivo, mas é emocionante ver como ela traça seu caminho: devagar, pé ante pé – e olha que são cem patas! – completamente segura. Seus pelos eriçam-se toda vez que ela movimenta-se.
Não posso tocá-la, pois corro o risco dela me queimar. Além do mais, não quero interromper nem um instante...
Mostre-me seu caminho” peço a ela por pensamento.
Ela parece escutar, porque obedece.
Poderia mostrar a você o meu caminho” ergo as sobrancelhas “Mas, infelizmente, não sou como você. Queria ser...”.
Minha amiga continua andando.
- Você está aí – minha mãe prega-me um susto.
- Sim, estou – respondo.
- Não te vi.
Viro-me para ver a minha mais nova amiga e ela desaparece da minha vista. Não entendo nada... Tudo bem, afinal de contas, estou longe de entender muita coisa...


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Concha



Areia no pezinho esquerdo, areia no pezinho direito. Para. Olha para baixo. Vê. Se abaixa e pega. Não gosta, está furada. Devolve-a. Areia no pezinho esquerdo, areia no pezinho direito. Estremece com a sensação gelada. Vento no rosto, liberdade. Olha para baixo. Vê de novo. Se abaixa para examiná-la. Tão bonita dessa vez com suas listras profundas... Pega. Corre, corre, corre com ela em uma das mãos. Água no pezinho esquerdo, água no pezinho direito e a concha esquecida no baldinho.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012


Ciclo
Joguei tudo para o alto. Joguei-me no chão. O chão girou. O giro estremeceu as paredes. As paredes dançaram sob minhas retinas. Minhas retinas choraram. O choro atingiu meu âmago. O meu âmago sangrou. Eosanguejorrouparaoaltoeatingiuaparedeeescorreuparaochãoevoltouparaasminhasretinas. Minha vida inteira em 5 segundos... Os 5 segundos voltando para a minha vida.  

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Luz



- Casa. Finalmente casa – Luís desfez o nó da gravata e se jogou no sofá. Fechou os olhos, passou a mão pelos cabelos, um tique que tinha desde sempre.
A rua estava calma, raridade para uma noite de quinta-feira. Na sala, a luz baixa refletia sobre os cabelos negros de Luís. Seu corpo desmanchava no sofá e se confundia com o resto dos móveis. Clamava para não ser incomodado, já sofrera muita irritação para um dia só. Era um fósforo pronto para ser riscado e começar uma nova combustão.
O zumbido percorria seus ouvidos. Grito de Carlos, fofoca de Silvia, tilintar de copos e talheres, a goteira do quinto andar, música alta, argh!
O vento lá fora balançava as árvores, chegava doce no ambiente e o abraçava. Os olhos foram fechando, o embalo suave lhe aconchegando... A cabeça estava se libertando do limbo e se distanciando cada vez mais de tudo. O sofá era tão acolhedor como um abraço de mãe. Os problemas teriam solução, alguma coisa semelhante à voz dela lhe sussurrou.
De repente, um choro de bebê ecoou baixinho pelo apartamento. Luís virou-se para o lado esquerdo. O choro continuou, e foi aumentando, aumentando, aumentando.  
Mãos delicadas tocaram o ombro de Luís.
- Meu amor, acorda, é a sua vez – uma voz feminina lhe disse.
Ele acordou de supetão. Esfregou os olhos. Tirou a gravata e o terno. Viu Camila com o cabelo despenteado, olheiras e sorriso nos lábios. Ela parecia completamente exausta.
Então Luís pegou a mão de Camila e beijou-a. Depois se levantou e caminhou cambaleante em direção ao quarto azul no final do corredor. Ao adentrar, se deparou com um bebê assustado. O grito saía potente dos pequenos pulmões, as lágrimas molhavam o rosto delicado. Luís olhou para aquele pequeno ser que precisava de um afago.
- O que foi? – ele perguntou, pegando o bebê no colo. Sentiu a fralda úmida – Está molhado, é, garotão? Papai vai resolver isso.
Luís sentiu o mundo naquele ser. Beijou a cabecinha frágil. Os braços do homem estavam fracos pelo cansaço. Mas não eram esses que acalentavam seu filho. Luís sabia: cada fibra do seu corpo estaria pulsando para a segurança daquele pequeno. Em meio à escuridão e o silêncio da noite, pai e filho sorriam, envolvidos pela luz fraterna.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Missão

    Eu não entendo como tantas coisas acabam antes mesmo de começar. Eu sempre acabo me auto-analisando para tentar achar uma resposta. Pergunto-me o que eu estou fazendo que não está funcionando. Preciso de ajuda para ver, porque sozinha nada vem...
     Pessoas dizem que antes de você abortar uma missão, você tem que embarcar nela. Mas às vezes voc~e se vê simplesmente obrigado a abortá-la...

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Amizade


A menina sacou a carta de seu bolso, pigarreou para limpar a voz, pegou o microfone e, tentando controlar as lágrimas, começou seu discurso:
- A amizade é uma coisa bonita...
Os convidados da festa não estavam dando à mínima. Bebiam e falavam alto. Eu olhava para ela, seus dedos tremulavam sobre o papel.  Levantei a cabeça para ver de perto as luzes de festa que refletiam sobre o teto branco. Não conhecia a menina, mas vinha claro na minha mente as palavras que ela exporia naqueles minutos de discurso: “Oh, a amizade é linda... Sei que você vai estar do meu lado para o que der e vier, nos momentos de tristeza e de alegria, blablablá” Revirei os olhos dentro de mim. Não queria demonstrar a previsibilidade daquelas palavras.
-Se eu te ligar no meio da noite, sei que você vai atender.
Hupft! Bufei dentro de mim. Estava mesmo aquilo tudo no papel? Podia imaginá-la por horas sentada à mesa do quarto, com a caneta na mão, para dizer os clichês de sempre. Sei que isso pode soar algo ríspido e cruel até mesmo na minha cabeça, mas essa é a realidade. As atitudes dos convidados confirmavam o que eu estava pensado. Ela merecia o mínimo de respeito por estar ali na frente de todos para dizer tudo aquilo, eu admito. A aniversariante se debulhava em lágrimas. Bem, ser especial para alguém depende muito do referencial.
Fujo de palavras previsíveis. Tenho horror a elas. Parece que as pessoas não tem o mínimo cuidado de selecionar as palavras. O que vale não é o conteúdo? Sim, mas se as palavras forem as mesmas de todo evento, elas simplesmente vão entrar pelo meu ouvido e sair pelo outro, porque não parecerão verdadeiras, assim como a amizade que se preza. Sei lá, para alguma coisa ser verdadeira para mim, tem que nascer do meu esforço. Tem que vir do fundo da minha alma. E, realmente, dizer que a minha amiga estará comigo para o que der e vier, mesmo que se sinta isso, é lugar comum.
Amigo verdadeiro não é aquele que vai dizer que você está gordo com determinada roupa ou não. Ele só vai dizer se você perguntar a ele, porque ele não está preocupado com a roupa que você usa, ele está feliz simplesmente por você ser o que é. Senão, não seria seu amigo.
- Você me diz o que está errado em mim, doa o que doer.
Seu amigo está preocupado com você, ele vai ser sincero e dizer que está triste por você não ser mais quem é. Mas, nunca, vai te agredir, te obrigando a fazer o que ele pensa que é certo. Talvez o que doa em si não é o que seu amigo te diz, porém o impacto de perceber que você está causando dor a ele.
O verdadeiro amigo é sincero. E se a amizade for baseada na sinceridade, um dos sentimentos mais nobres que existem, valerá como uma irmandade. Um pacto selado por toda a eternidade, não importa se seu amigo partir antes de você.
A menina foi para fora acender um cigarro. Bocejei. Abraçou a aniversariante sobre a declaração “eu te amo”. Foi a única frase com a qual concordei por toda a noite. Amizade verdadeira esmaga o teu peito devido a distância, faz cair lágrimas por causa da saudade, faz borbulhar o seu interior. É reconfortante saber que o sentimento é compartilhado por duas almas que se querem bem.
Após isso, o funk retomou o ambiente. Não sei por que, mas tal fato reforçou em mim o sentimento de superficialidade existente ali.

sábado, 1 de setembro de 2012

raios de sol

   Há um dia e meio, só faço chorar. Só chorar. Odeio isso, mas não posso ordenar as minhas lágrimas voltarem para dentro. Quero sentir o silêncio, quero ver se ele pode habitar em mim, porque a minha cabeça está com milhões de pensamentos gritando ao mesmo tempo.
   Eu me perdi de mim. Desejo me reencontrar. Mais do que tudo. Buscar-me nas minhas profundezas, porque pareço que estou sufocando. A minha garganta fecha-se cada vez mais. "Onde você estááááá?" a pergunta ecoa dentro de mim. Alguma coisa vai me puxando para o meu centro. Acho que estava evitando esse momento...
   O tempo lá fora fechou. Parece que vai chover. O clima dentro de mim também está meio nublado. Espero que os raios de sol voltem logo...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Juro que não compreendo algumas pessoas. Espero que algum dia elas expliquem pra mim....
Olho lá fora. Vejo que está chovendo. Não sei onde chove mais. Lá fora ou dentro de mim

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Praça

     Eu nunca fui o tipo de pessoa atlética, não. Sempre tive pavor de educação física, vivia correndo de um lado para o outro que nem uma barata tonta só para os professores terem alguma noção que eu estava me esforçando. Dança não conta muito, quer dizer, eu adoro ficar rebolando por aí quando escuto música, mas eu não faço isso profissionalmente. Já até tentei, mas eu definitivamente não tenho o porte físico de bailarina. Eu me sentia um peixe fora d'água porque eu era uma criança alta e gorda e aquelas meninas da minha turma eram todas magricelinhas e franzinas. E bem patricinhas também, empinavam bem o nariz na hora dos plieés.
     Mas eu percebi de uns dias para cá: não posso ficar simplesmente acumulando gordura no sofá. Aliás, eu não tinha comprado roupa de ginástica para ficar pegando poeira na gaveta, né? Pois bem, não tinha dinheiro para bancar uma academia, então eu passei a caminhar na praça. Um tênis, um celular, uma bermuda e um top de ginástica podem fazer milagres! No começo eu não curti muito ficar dando voltas pela praça, ficava ofegante e tals... Mas agora, eu estou adorando! Aliás, quando eu estou com raiva de alguém é uma maravilha... Começo a correr loucamente e aí a raiva vai passando. Enquanto eu caminho eu ponho os pensamentos em ordem. A hora passa rapidinho.
      Eu aproveito também para dar uma olhadinha nos carinhas musculosos e cheirosos (oh, meu Deus, como isso é possível?) que ficam correndo também. Mas, infelizmente, tem muito cara abusado que passa por lá. Fiquei morrendo de raiva de um que disse quando eu passei correndo:
     - Os peitos estão pulando
     Jura, meu filho? Sou uma mulher, mulheres têm seios e consequentemente balançam com movimentos. ¬¬' Fora isso, a cada dia que passa fico mais animada para correr na praça! :)
     

domingo, 12 de agosto de 2012

Ouro

  Na minha vida, eu sou o papel principal. Eu nasci para brilhar, não para ser papel secundário. Não sou qualquer uma. Resta saber que papel que certas pessoas querem empenhar na minha vida, se elas merecem o papel de destaque. Não vou me colocar para baixo para agradar os outros, não vou me colocar na posição de "tanto faz". Quando eu chego aos lugares, pretendo fazer a diferença. Entro no jogo de cabeça erguida, entro para dar o melhor de mim. Se eu não ganhar, fico tranquila, porque sei: sou a melhor Isadora que eu poderia ser. Algumas pessoas vão valorizar isso em mim, mas não vou perder tempo com quem não vir isso.
  Está na hora das pessoas pararem com essa ideia de que precisam chocar para obterem lugar no mundo. Chocarem sendo o que elas não são. Eu tenho a ideia clara de quem sou, e não preciso me transformar em alguém que não sou para demonstrar o meu valor.
  Decepção faz parte da vida. Uma hora a decepção se torna a vitória. Que o ouro das olimpíadas Vida da Isadora venha para essa Isadora.  

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Atitude

  "Ah, vê se não enche" eu li. Não sei o que é pior: ler essa frase ou escutá-la. Nunca diga a uma mulher, já nervosa com as falsas palavras doces pronunciadas uma vez, para não encher o saco. Foi me subindo um troço. Babacaaa!!!! Minha vontade era olhar na cara dele e gritar. Mas, para a meu azar (ou sorte) estávamos no MSN. Chorei naquele momento. Só naquele momento. Porque aquilo foi à gota d'água. Não foram os palpites intrometidos acerca dos meus textos sem ele dar o mínimo de valor à literatura -a pessoa tem o direito de não gostar de literatura, contanto que respeite os demais. Nem tantas outras atitudes que me irritaram. Foi tudo isso. Eu tentei dar uma chance. Na verdade, eu digo: fui cega.
   Lá estava eu rindo e dançando aqui em casa depois da conversinha do MSN. Lá estava eu sendo eu mesma. A situação era clara na minha cabeça. Quer gritar? Grita com a sua mamãezinha. Ah, e aproveita para ela te dar o mínimo de educação de como tratar uma mulher.
   As atitudes das pessoas têm, sim, muito a dizer sobre elas. Não é só o signo dela, ou onde ela estuda, ou que ela faz da vida. É como ela se porta acerca disso. E que se foda quem não lhe der o seu verdadeiro valor. Se não quem vai se foder é você por deixar passar tudo. É, amigo. As coisas têm um propósito, afinal das contas...

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Entre o trem e o trilho

  Com medo de ouvir um "não", acabo por não dizer "sim". Me calo. O silêncio às vezes é pior do que um não. Como então posso querer que as pessoas se aproximem de mim?
   Ninguém pode ler o pensamento de ninguém. A frase é óbvia, mas eu nunca me lembro dela. Eu quero que determinadas coisas mudem na minha vida, porém parece que não venho feito o suficiente. A declaração pesa no meu peito e as lágrimas descem incontroláveis.
    Uma vez alguém me disse que é preciso tomar cuidado com o que se deseja, porque acaba conseguindo pelas vibrações que essa pessoa emite. Não sei se acredito nisso. O que eu sei é que tem que lutar mesmo por alguma coisa, e se ela não veio ainda, ou não se lutou o suficiente ou não era para ser. Parece que estou lutando com as armas erradas. Tento não cometer o mesmo erro repetidamente, porém acabo por ir ao extremo oposto.
     Eu passei muito tempo da minha vida querendo algo. Recusei muitas chances por não serem compatíveis com o que imaginei. Chegou o que eu queria, na forma que eu mais ou menos imaginei, mas adivinha? Eu me estrepei. A justificativa para isso é clara: não existe nada perfeito. Decepção te liga sempre para avisar que ela está por aí. Acabei trocando seis por meia dúzia.
     Agora eu preciso encontrar um jeito equilibrado de lidar com a situação para não me estrepar da mesma forma. Ui, esse tal de equilíbrio vive esbarrando em mim hahaha

sábado, 4 de agosto de 2012

Espetáculo

    Eu ri. Aqueles meninos eram bonitos. Mas naquela situação eu só conseguia ver um bando de bocós procurando atenção de todas aquelas pessoas. Me divertia com a situação ridícula. Eles gritavam, levantavam a blusa para mostrar a barriga, dois deles até abaixaram as calças e ficaram de cuecas.
    Por fora, eu arregalava os olhos, mas dentro de mim até me deliciava. Eu não me deliciava com ELES em si, e sim com a patetice generalizada. Com os parâmetros que certas pessoas usam. Um deles se jogou no sofá onde algumas meninas se encontravam. Eu mantinha os olhos abertos. Era a competição de quem seria o mais impactante.
    "Ei, você, essa aqui é a Isadora" minha amiga me apresentou.
    "Oi, tudo bem?" ele respondeu, pegando na minha nuca. 'Olha a intimidade, tá, querido?', pensei, rindo.
     E quando percebi, já estava uma menina agarrada a um deles. Ui, a chapa estava quente. Poderia ouvir aquele som de uma gota d'água numa frigideira quente.Todo mundo ao redor aplaudia. "Aê, aê!" a euforia contagiou o ambiente. O pessoal já estava se pegando. Dava para perceber as línguas se movendo mesmo na sala escura. Um outro cara estava pelando tanto que ele amassava o rosto da menina com uma das mãos. Gargalhei dentro de mim e até mesmo agora enquanto escrevo esse texto. Que romântico...
    Eu? Eu estou bem. Se fosse há alguns anos atrás, me escandalizaria. Mas quer saber? Deixemos a escandalização com as pudicas....
   
   
       
     
   

   

quarta-feira, 18 de julho de 2012

verbos da minha vida

  É super simples começar um novo projeto. O difícil é tocá-lo. 
  Após um dia super turbulento, com tédio me consumindo e os meus pensamentos tomando um peso enorme dentro de mim, me senti aliviada ao chegar esse momento. O momento em que abro o Word, coloco uma música e começo a teclar loucamente. Fico curiosa a saber o que pode sair. A única parte feliz de ter um problema ou de sentir coisas estúpidas e angustiantes é poder escrever. E que seja com música. A combinação escrita+música é perfeita. É Claudinho e Bochecha para alguns, queijo com goiabada para outros, é elétron+próton para os nerds, Romeu e Julieta para Shakespeare. 
  Há dois outros verbos que estão muito associados ao ato de escrever e que fazem parte da minha vida: chorar (eu choro por alegria, por tristeza, por emoção, por agonia, por tudo) e dançar (não, não sou bailarina clássica nem nada disso, é só que não posso escutar música nenhuma, eu começo a dançar. Como se ativasse um botão dentro de mim, o que deixa as pessoas ao meu redor suuper envergonhadas. Não que eu realmente ligue para isso). Agora imagine a minha sensação de libertação quando eu termino um texto consideravelmente bom. É como se eu fosse explodir por dentro, é uma satisfação suprema! Por isso que eu não posso parar nunca de fazer a atividade que eu mais amo na vida: escrever.
    Outro verbo necessário a mim: cantar. Eu adoro cantar. Acho até que a minha cabeça é uma estação de rádio. Cada hora está sintonizada numa música, uma loucura! Hahaha. Se sou proibida de cantar, eu não curto mesmo. Quando eu estou de saco cheio com algumas coisas, simplesmente recorro ao karaokê. Não é a toa que está no ranking que mais desestressam os japoneses. 
    Desenhar também curto muito. Faço muito quando estou de férias. Simplesmente adoro rabiscar um papel. Gosto do silêncio e da intimidade entre um lápis, uma folha e uma pessoa. :)
    É isso aí... Gosto de encerrar as coisas de uma forma legal e não estou encontrando uma maneira de fazer isso agora. Então, a vida é assim. Ponto final.
    

sábado, 14 de julho de 2012

Mirror, mirror on the wall

    Às vezes não consigo me olhar de fora. Às vezes esqueço de minha fisionomia. Sei como sou por dentro, estou sempre me questionando de alguma forma, mas é necessário o espelho, bem como rever minhas atitudes perante às pessoas.
   Me pego assustada quando me vejo no espelho, ou quando leio algo que tenha escrito há muito tempo atrás. Isso porque não consigo acreditar que já tenha crescido tanto assim! Uma vez, alguém me disse que as pessoas sempre têm uma visão delas mesmas como mais novas. Completamente eu isso. Quando vejo que posso responder por mim mesma, me questiono. Ora, me sinto uma garotinha! Como é que aquele alguém tão desajeitado, tão sem forma, pode ter se tornado isso, assim tão do dia para noite?
    Certa vez, um cara muito gato mais ou menos da minha idade ficou me paquerando. Estávamos há poucos metros de distância. Eu vestia um vestido longo que adoro. Estava com os meus amigos, rindo e zoando. Eu percebia que ele via cada movimento meu. Foi aí que eu parei para pensar que, realmente, ele estava me percebendo. E eu estava me percebendo através dele. Não, não no sentido romântico da coisa. Eu não o conhecia, e ele era, de fato, bonito. Mas meu coração no momento está preenchido por outro. Eu estava me percebendo através dele, porque eu vi, meu Deus, sou uma mulher! Hahaha. Geralmente estava acostumada a encarar relações amorosas de maneira distante e completamente idealizada, como se tudo precisasse ser 100% romântico o tempo todo e, por isso mesmo, adiava.
    Borboleta saindo do casulo. Dorinha, sim, mas não ingênua. Alegre, sim, mas não indiscreta. Feliz, completa e imperfeita. Essa é a beleza da minha vida.  










"Em tudo há sempre alguma coisa capaz de deixar a gente alegre; a questão é descobri-la." 
                                                                     Pollyanna, Eleanor H. Porter

domingo, 1 de julho de 2012

Ser Dorinha


Por um momento, minha paciência se esvaiu. Se eu ainda fosse 100% Dorinha, eu ia lá falar com aquelas pessoas que me magoaram tanto e que não iam acrescentar nada na minha vida. Lá estavam as maiores patricinhas do colégio, que sempre causaram confusões com panelinhas e situações afins. Lá estava o grupinho tirando fotos. Revirei os olhos dentro de mim. Essas daí vão ser difíceis de mudar. E a Cecília continuava se achando “a gostosa”, mesmo estando uns dez quilos mais gorda do que a última vez que a vi. Revirei os olhos dentro de mim. Aff!
Eu observava todas aquelas pessoas que me eram familiares fisicamente e levava sustos enormes. Como aqueles meninos ficaram com músculos? Bati o olho em alguém que reconheci por algum motivo. Ah, sim! Aquele era o Jorge, o carinha que me perturbava tanto me perseguindo. Hoje, acho que ele tinha uma quedinha por mim. Mas na época o achava insuportável.E continuo achando.
Eu iria falar com quem fosse importante para mim. Decidi isso. Cagaria para aquelas pessoas vazias e superficiais. Do que adianta tanta beleza se elas não falavam nada que prestasse? Se elas só abriam a boca para fazer intriga e discórdia?! Não sou hipócrita de dizer que beleza física não é importante. Dã! É claro que é importante! Mas a estupidez invalida a beleza. A estupidez, o mau caratismo, a falta de respeito, a ignorância, tudo isso invalida a beleza! E, por outro lado, se a pessoa não tiver um físico como o existente nas revistas, porém se apresentar como uma pessoa verdadeira, uma pessoa inteligente, boa gente, aí sim posso me aproximar dela. Não tente me bajular com palavras vazias, não tente me bajular com poses de playboy. A partir de agora, meu lema é “sou o que sou, e se isso não for o suficiente, liga para minha preocupação e vê se ela atende”.
Estava com a minha avó, as amigas dela e a minha irmã. Isso me era suficiente. Comeria o bolo de aipim com coco, a tapioca e beberia meu mate em paz. Aprendi a revirar os olhos. Agora, meu bem, sou 80% Dorinha, e só na situação que convir.
Não sabe? Ser Dorinha é ser doce e amável, é ser boazinha e fofinha com todo mundo. Mas ser 100% Dorinha é ajudar a todos e abrir mão da própria felicidade para que os outros tomem seu posto, é ser a personagem secundária no filme: a amiga da protagonista. Mudei, e pode ser que essas pessoas que falei aqui tenham também. Mas não quero conferir.

domingo, 24 de junho de 2012

METAS   
Olá, pessoas! Estou muito feliz, estou realizada, estou concretizada. Eu sei que a maior besteira do universo é uma escritora ter medo de mostrar seus textos a qualquer um. Mas, sinceramente, acho que estou vencendo esse medo aos poucos. Eu já estou mostrando-os à minha família e aos meus amigos, e esse é um passo decisivo. Antes, nem isso eu fazia.
    Eu estou aprendendo muito. Olhe, talento apenas não basta. É preciso que o talento seja lapidado. Eu escuto muito isso por aí, e é verdade. Odiava gramática, mas hoje eu vejo que ela ajuda a manter o texto mais claro. É óbvio que não estou falando daquela gramática arcaica de um século atrás. Não, estou falando das regras básicas de concordância, por exemplo. Elas ajudam muito! A não ser que o objetivo do escritor seja de confundir o leitor mesmo hahaha. Aí é de cada um.
    Eu resolvi estabelecer algumas coisas daqui em diante. (Sempre procuro estabelecer metas, ui, uma loucura!rsrsrs) Vou parar de recuar, e vou avançar. E quem não quiser me acompanhar na caminhada ou quem  me criticar por isso, eu vou, na expressão mais delicada, mandar catar coquinhos! (Catar coquinhos, nossa, hein? Isso é ameaça digna de Chocolate Com Pimenta! hahaha Conselho para todos: não provoquem uma mulher na TPM!)
    Mas, enfim, falando sério, ás vezes eu fico pensando como somos medrosos e inquietos, né não? Eu sempre fui enculcada com as coisas, minha mãe sempre me disse: "Isadora, para de se preocupar tanto com que os outros pensam!" Isso me impede de realizar algumas coisas que desejo. Essa, então, se tornou uma das minhas maiores metas, além da mais importante: a de não me exigir tanto. Será que é bom ser perfeccionista? Bem, o que sei é que quando eu faço algo errado, fica remoendo na minha cabeça forevermente. Isso, pode crer, não é bom MESMO.
      Então, estabeleça suas metas e tente realizá-las. Você vai se surpreender consigo mesmo. Podemos ser qualquer coisa que quisermos. O mais importante é mantermos o foco e não desistirmos fácil. Uma qualidade que eu tenho, essa eu posso dizer, é ser resiliente.



    


sábado, 7 de abril de 2012

Crenças

  Sinto pena dos que não acreditam em nada. A pena vem com a roupa da raiva, se essa pessoa for metida e acredita que só sua opinião é a que vale. Raiva é um sentimento humano, e não deveria tê-la ao lidar com questões tão complicadas como esta. Mas, vejam: eu deveria perceber que quem está perdendo não sou eu.
    Eu acredito no amor, na fraternidade, acredito, sim, que exista algo maior que nos mova. Não encaro a Terra como um planeta onde só exista ódio e desolação e que seu fim esteja próximo. Não! Quando tudo está perdido, quando eu me sinto a exceção, eu lembro que a exceção é que faz a diferença.
    Tenho pena de ver como a mentalidade de pessoas que não creêm em nada (não digo apenas no âmbito religioso) é pequena, o quanto essa pessoa está perdendo seu tempo ao querer mudar questões primordiais, o quanto ela está perdendo ao se prender nos detalhes. O pior é que podem-se passar horas tentando mostrar-lhe ponto de vista diferente do dele... Não dá. É impossível. Prefiro deixá-lo achar que está com a razão, sabendo que estou convicta dos meus ideais e que não cabe a mim julgá-lo.
   O mundo é um lugar triste e pequeno se não temos nada para nos segurar nos momentos difíceis. Fico imaginando o quanto a vida desta pessoa pode ser tão melhor... Novamente, afirmo que não cabe a mim a conversão dele. Não importa o quanto se grite fora de uma sala acúsitca. Quem está dentro nunca vai escutar.
   É assim que eu vejo. Se não concorda, não me corrija. Apenas diga. Porque talvez não exista "certo" ou "errado". Talvez existam pontos de vista.