Me pego assustada quando me vejo no espelho, ou quando leio algo que tenha escrito há muito tempo atrás. Isso porque não consigo acreditar que já tenha crescido tanto assim! Uma vez, alguém me disse que as pessoas sempre têm uma visão delas mesmas como mais novas. Completamente eu isso. Quando vejo que posso responder por mim mesma, me questiono. Ora, me sinto uma garotinha! Como é que aquele alguém tão desajeitado, tão sem forma, pode ter se tornado isso, assim tão do dia para noite?
Certa vez, um cara muito gato mais ou menos da minha idade ficou me paquerando. Estávamos há poucos metros de distância. Eu vestia um vestido longo que adoro. Estava com os meus amigos, rindo e zoando. Eu percebia que ele via cada movimento meu. Foi aí que eu parei para pensar que, realmente, ele estava me percebendo. E eu estava me percebendo através dele. Não, não no sentido romântico da coisa. Eu não o conhecia, e ele era, de fato, bonito. Mas meu coração no momento está preenchido por outro. Eu estava me percebendo através dele, porque eu vi, meu Deus, sou uma mulher! Hahaha. Geralmente estava acostumada a encarar relações amorosas de maneira distante e completamente idealizada, como se tudo precisasse ser 100% romântico o tempo todo e, por isso mesmo, adiava.
Borboleta saindo do casulo. Dorinha, sim, mas não ingênua. Alegre, sim, mas não indiscreta. Feliz, completa e imperfeita. Essa é a beleza da minha vida.
"Em tudo há sempre alguma coisa capaz de deixar a gente alegre; a questão é descobri-la."
Pollyanna, Eleanor H. Porter
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